Santiago. A crise financeira global poderia ser uma inesperada aliada do bloco político que está no poder no Chile porque, paradoxalmente, ganharia mais apoio da população e deteria o avanço do empresário do partido opositor que lidera as sondagens para as eleições presidenciais de dezembro.
A disputa está sendo travada entre o empresário Sebastián Piñera e o ex-presidente Eduardo Frei, da coligação de centro-esquerda que governa o país desde o fim da ditadura militar em 1990. Piñera encabeça as pesquisas, embora Frei, que governou o país entre 1994 e 2000, poderia se beneficiar das políticas fiscais prudentes da Concertación, a coligação governista, que permitiram economizar milionários recursos que agora são usados para enfrentar os efeitos da crise.
A campanha promete ser um duelo entre o modelo de liberdade empresarial de Piñera e a política esquerdista do Governo que investe para proteger o emprego. "O Governo vai criar mais pacotes de estímulo, o desemprego vai subir e o governo subsidiará os desempregados. Frei poderá dizer que tem pleiteado essas medidas”, avaliou Patricio Navia, analista político da Universidade de Nova York e da Universidade Diego Portales no Chile.
"Não há dúvida de que a crise funcionará de forma mais vantajosa para Frei", disse Mark Weisbrot, diretor do Centro de Pesquisa Econômica e de Políticas (CEPR, na sigla em inglês), com sede em Washington.
Weisbrot disse que, como aconteceu na recente eleição presidencial norte-americana vencida pelo democrata Barack Obama, um candidato de centro-esquerda seria visto como alguém que oferece proteção ao emprego em tempos difíceis.
No Chile, demissões e a paralisação de projetos milionários são uma realidade, país que assiste a uma queda no preço de seu principal produto de exportação, o cobre.
Em dezembro, Frei apresentou um plano econômico de US$ 3 bilhões para melhorar a infraestrutura e subsidiar o emprego. Semanas depois, a presidente Michelle Bachelet anunciou um plano fiscal por US$ 4 bilhões para reativar a economia e proteger o emprego.
De acordo com uma sondagem da Adimark divulgada terça-feira (4), a aprovação da gestão de Bachelet atingiu 53,1% em janeiro, o melhor resultado em dois anos. De acordo com o instituto de pesquisa, a boa percepção sobre as medidas pela população ajudou a política.